FASCISMO EM GOTAS! – Nós e eles… (parte 1) — As pessoas de bem.

Hierarquia: Nós… as pessoas de bem.

Há muito pouca coisa na natureza e na sociedade que nos ofereça uma fácil escolha binária.

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Por ser mais tranquilo – e menos perigoso –, falemos primeiro do mundo natural: em sua esmagadora maioria, os conceitos e grandezas do universo nos oferecem espectros de variação contínua, mesmo nos casos em que tal gradação se apresenta entre dois extremos perfeitamente definidos. Assim são grandezas como os tons encontrados entre o branco e o preto, as cores do espectro luminoso, as temperaturas entre o frio do vácuo intergalático e o quente inimaginável da superfície de uma estrela e quase toda e qualquer outra grandeza natural que possamos imaginar: são espectros infinitos.

“O símbolo matemático para o infinito ∞ foi introduzido em 1655, por John Wallis (1616-1703), no seu Arithmetica infinitorum… [The mathematical symbol of infinity was introduced in 1655 by John Wallis in his Arithmetica infinitorum…]” Em Gullberg, Jan. Mathematics, from the birth of numbers (p. 30). Ed. Norton & Co, New York, 1a ed., 1997.

Além disso, o infinito tem regras de cálculo próprias, muito originais e simpáticas, do ponto de vista do amante da democracia e dos direitos individuais, posto que, apesar de não serem todos os infinitos iguais entre si, saibamos que, em matemática:

∞ + ∞ = ∞   e, também   ∞ × ∞ = ∞

As grandezas infinitas são características marcantes do universo em que vivemos e que podem ser muito bem descritas utilizando a matemática, a língua nativa do mundo natural. Tomando, para exemplificar, a teoria dos números, podemos logo identificar duas perpectivas distintas, pelas quais uma grandeza pode ser infinita. A primeira é a infinitude enumerativa (ou de espectro discreto), a noção de uma sequência de valores inteiros que não termina, que é infinita, e assim é, no sentido de que nunca conseguiríamos esgotar sua enumeração: por mais que contemos adiante, sempre haverá mais um número natural, ou, como se diz em matemática, um n+1. A segunda perspectiva é a infinitude contínua (ou de espectro contínuo), que nos diz, por exemplo, que, entre dois números inteiros quaisquer (que por si sós já são parte de um conjunto infinito), há uma sequência infinita de fracionários intermediários, que também não poderia ser enumerada, fenômeno que nos leva aos números reais: 0…0,5…1…1,5…2…

É claro que não estou aqui para confundi-los com uma porção de conceitos matemáticos bizarros. Tento apenas chamar a atenção dos raros leitores e leitoras para o fato de que, até quando lançamos mão da matemática, nosso esforço sempre é no sentido de organizar e simplificar a exuberância estonteante do mundo real, para facilitar o raciocínio e o entendimento. Por exemplo, quando dizemos que a população brasileira tem maioria negra, isso não quer dizer que tenhamos uma divisão binária na população real, entre negros e brancos (mesmo abstraindo o fato de que há outras etnias além de negros e brancos na nossa população). Nós apenas “igualamos”, para facilitar o pensamento e num sentido muito específico e limitado, a multidão de pessoas que têm alguma ascendência africana – e a pele com um grau muito variável de melanina – para criar uma categoria abstrata e artificial: o humano negro. Igualmente, tomamos a multidão dos brasileiros que têm ascendência principalmente eurasiana – também com muitas variações de tom de pele, mas na média com menos melanina (uma deficiência?) – e os denominamos, para simplificar, população branca. Mas, não é verdade que existam pessoas rigorosamente negras ou brancas. Isso é só um artifício para categorizar e pensar. No mundo real – que é, de fato, exuberante – existem pessoas com variações virtualmente infinitas de genealogias e concentrações de melanina na pele: quase um continuum.

O mesmo raciocínio poderia ser feito, em paralelo, com relação às categorias masculino e feminino, rico e pobre, feio e bonito e assim por diante. Esta prática de criar categorias teóricas para organizar e pensar o mundo é muito poderosa – e, igualmente, perigosa. Ela nos permite criar uma imagem racional que reflita, de forma genérica e limitada, alguns aspectos do mundo real, como se fosse uma maquete imaginária, e, a partir dela, pensar, organizar, planejar e tirar conclusões, que poderão, a qualquer tempo, ser submetidas ao escrutínio do confronto com a realidade, para avaliarmos se estão ou não corretas.  Criar esta maquete é o que os epistemologistas chamam de reducionismo: abstrair todas as demais características do mundo, isolando apenas o que importa para o fenômeno que está sendo estudado, a fim de compreender cada uma de suas múltiplas facetas, uma de cada vez, isoladamente. Pode parecer pouco, mas nisso repousam os alicerces de toda a ciência moderna. E de toda hierarquia. E de todo preconceito. A sociedade humana, assim como o universo natural, não é binária. Ainda que nosso pensamento, às vezes, seja.

Tanto o mundo real, como a sociedade humana, são muito complexos e, geralmente, não nos apresentam muitos problemas redutíveis a uma escolha binária. E, algumas vezes, nem mesmo nos permitem uma escolha direta entre verdadeiro e falso: Em 1963, Paul J. Cohen, ao estudar a chamada hipótese do contínuo de Georg Cantor, demonstrou que, na teoria dos conjuntos, além de proposições verdadeiras e falsas, também temos proposições indecidíveis. (A respeito, ver Gullberg, Jan. Mathematics, from the birth of numbers (p. 262). Ed. Norton & Co, New York, 1a ed., 1997.

Em resumo, a confusão começa quando nos esquecemos de que a maquete não é a realidade, mas apenas uma tosca representação dela. Até os modelos científicos, que são maquetes extremamente sofisticadas, não são a realidade, mas somente representações abstratas dela, que descrevem o comportamento de certos fenômenos reais (por meio de reducionismo), permitindo aos cientistas e engenheiros efetuarem cálculos e previsões. É por este motivo que, quando criticamos, num post anterior, as declarações do astrólogo Olavo de Carvalho sobre a revolução Einsteniana, observamos que a teoria da relatividade não “subverteu” a física newtoniana; apenas propôs um modelo abstrato melhor — melhor no sentido de que logra descrever o fenômeno físico real, inclusive nas situações em que o de Newton não consegue, o que não quer dizer que Newton estivesse errado, mas apenas que seu modelo (ou maquete) estava (mais) incompleto.

Quando confundimos nossas construções imaginárias (categorias abstratas) com a realidade que elas tentam, desajeitadamente, representar, abrimos nossos corações e mentes às armadilhas mais perigosas do discurso fascista:

“Fascistas argumentam que as hierarquias naturais de valor de fato existem, e que suas existências solapam a necessidade de considerações de igualdade. [“Fascists argue that natural hierarchies of worth in fact exist, and that their existence undermines the obligation for equal consideration.]” Em Stanley, Jason. How Fascism Works (p. 83). Random House Publishing Group. Kindle Edition.

Um dos usos que o fascismo faz desta substituição do real pela maquete imaginária é aplicá-la aos conflitos sociais que, normalmente, se agravam durante períodos de crise. Sobre e além da tendência natural que estes conflitos têm de polarizar as opiniões e estreitar os espaços disponíveis para as posições de centro, os líderes fascistas aplicam aos seus discursos um excesso proposital de reducionismo, utilizando-se de memes simples repetidos ao infinito pela propaganda (mais um tema que deveremos abordar) e aproveitando-se da confusão geral para substituir a cena social real pela sua própria maquete imaginária. O processo é levado até o limite extremo do reducionismo; até restar, onde antes havia um espectro contínuo, apenas os pólos extremos e opostos, sempre associados a alguma escala de valores morais que defina claramente em qual lado está o bem, e, por consequência, reservando ao outro lado, o mal.

“Estabelecer hierarquias de valor é claramente um meio de obter e reter poder — um tipo de poder que a democracia liberal tenta deslegitimar. [Establishing hierarchies of worth is of course a means of obtaining and retaining power—a kind of power that liberal democracy attempts to delegitimize.]” Em Stanley, Jason. How Fascism Works (p. 85). Random House Publishing Group. Kindle Edition.

No nosso exemplo das pessoas brancas e negras, os conceitos abstratos são afastados da realidade multifacetada das populações reais, tomando-se as categorias negro e branco como se fossem absolutamente realistas (o que sabemos que não são). Nesta operação abstrata (e alienante), os conceitos de branco e negro são reduzidos a valores binários – ou você é branco ou você é negro – de uma forma que não apenas opõe diametralmente os opostos inconciliáveis de “ser branco” ou “ser negro”, como também iguala e homogeiniza, esmagando a totalidade dos integrantes da cada classe sob o peso de uma padronização total: todo branco é igual a qualquer outro branco; todo negro é igual a qualquer outro negro. A seguir, o fascista elenca e cristaliza os valores que, com base nos preconceitos prevalentes na sociedade ou grupo de interesse, estão associados a cada uma destas categorias, definindo os dois padrões: o branco é rico, inteligente, bonito, trabalhador e persistente; o negro é pobre, burro, feio, preguiçoso e indolente.

“Igualdade, de acordo com o fascista, é o cavalo de Tróia do liberalismo. [Equality, according to the fascist, is the Trojan horse of liberalism.] Em Stanley, Jason. How Fascism Works (p. 88). Random House Publishing Group. Kindle Edition.

Neste ponto, podemos destacar uma das contradições teóricas do fascismo: a que advém dos usos opostos da igualdade. Veja que, em respeito à igualdade entre os diferentes (equidade), o fascista é sempre contra, porque a igualdade de todos e cada um é incompatível com qualquer hierarquia de valor polarizada (branco em oposição a negro é só um dos exemplos). Já quando se olha, separadamente, para os integrantes de um dos pólos (para a padronização, a igualdade entre iguais, o que já é um pleonasmo) a igualdade não é apenas bem-vinda, mas um valor inescapável, porque todos os brancos precisam ser iguais entre si e todos o negros precisam ser iguais entre si, a fim de que os padrões absolutamente rígidos permaneçam de pé e, assim, o sistema hierárquico reduzido ao extremo não desmorone. Mas, esta segunda acepção da igualdade, truncada para cada polo da hierarquia, é de extrema importância para a liderança fascista. É o motivo pelo qual, para Umberto Eco, no fascismo,…

“…os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos, e ‘o povo’…” [aqui diríamos as pessoas de bem] “…é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime ‘a vontade comum’. Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter uma vontade comum, o líder se apresenta como seu intérprete.” Em Eco, Umberto. O Fascismo Eterno (disponível na internet).

Cabe aqui uma breve digressão, para falar de preconceitos. O exemplo do racismo é didático, mas não deve nos fazer esquecer de que vem acompanhado de uma grande coorte: machismo, homofobia, misoginia, xenofobia, obscurantismo. Não é que o fascista tenha razões programáticas, advindas de um sistema ideológico coeso (que não existe), para apoiar toda essa fauna distópica; é apenas que sua ideologia colhe os preconceitos pré-existentes, encontrados nos estratos sociais alvo (classes média, média-baixa, profissionais liberais, comerciantes, trabalhadores especializados mas não-letrados) e os acolhe, incentivando-os e incorporando-os a sua maquete imaginária, a fim de torná-la mais plausível, palatável e atraente aos olhos dessas pessoas, como substituto do real.

Este aspecto vai ficar mais claro quando (em outro post) discutirmos o aspecto de irrealidade do fascismo. Por ora, cabe somente apontar a convêniencia que a confecção desta colcha-de-retalhos de preconceitos significa para o bem-estar psicológico das elites e também das pseudo-elites, como a classe média baixa. As políticas de inclusão social, promovidas por cerca de duas décadas, no Brasil, causaram um terrível mal-estar psicossocial nos grupos que abrigavam preconceitos arraigados (ou seja, quase todos). Quando o fascismo oferece uma maquete em que o patriarcalismo, o racismo e sua coorte são apresentados como condições “naturais” dos seres humanos —e mais, quando oferecem-na como substituto do real, como o próprio real— então são “reveladas” as razões que diferenciam o nós, pessoas de bem, do eles (que não precisa ser nominado, por ora). O alívio psicológico e a sensação de bem-estar são imediatos: não sou preconceituoso, apenas sigo a vontade de Deus (se for religioso) ou a ordem natural das coisas (se não for).

Mister, ainda, observar que este “sincretismo” de preconceitos, dissimulados pela fantasia da “ordem natural das coisas”, não pode, em nenhuma hipótese ser confrontado, sob pena de expor escandalosamente a alienação do real. Neste momento, a distância entre o preconceito e a intolerância torna-se menor que um passo:

“Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar críticas. O espírito crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço dos conhecimentos. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição.” Em Eco, Umberto. O fascismo eterno, (disponível na internet).

Mas, voltando ao nosso tema principal, pergunta-se: quem são exatamente, no Brasil, as pessoas de bem?

Para Leandro Karnal, pessoas de bem (em itálico) são os falsos cristãos (que ele qualifica como a pior invenção da espécie humana):

 

Para Clóvis de Barros Filho, pessoas de bem (em itálico) são as pessoas que acreditam em hierarquias (e que acordam cantando):

 

Para Mouzar Benedito, pessoas de bem (em itálico) são pessoas integrantes da elite sócio-econômica do Brasil, aparentemente, certos integrantes da classe média-alta:

Cultura inútil: Pessoas de bem – Assim disse o Barão de Itararé: “As pessoas de bem costumam falar mal dos vagabundos. Mas não é por mal. É por inveja.”

Com os efeitos da crise mundial iniciada em 2008, não foi mais possível sustentar os crescentes ganhos econômicos que os governos de esquerda foram transferindo às populações que não poderiam ser caracterizadas como pessoas de bem. Mas, ainda assim, os progressos até então obtidos por estes estratos sociais, com os programas de distribuição de renda – bolsa-família, minha casa minha vida etc – e de acesso aos bens materiais e culturais da sociedade moderna – universidades públicas, cotas socio-econômicas, internet, aumentos reais de salário-mínimo etc –, enquanto duraram, causaram efeitos notórios na cena social brasileira. A ameaça às pessoas de bem, representada por toda essa emergência, tanto social quanto econômica, das classes menos favorecidas, produziu seus efeitos psicossociais, intra e extra-grupos, ao mesmo tempo em que as tais pessoas de bem – que desconfio já sabermos quem são – viram-se a perder cada vez mais mobilidade e progresso econômico e social. Sentiram-se ameaçadas e frustradas.

“O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social. Isso explica por que uma das características típicas dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos.” Em Eco, Umberto. O fascismo eterno, (disponível na internet).

É o mesmo que observa Jason Stanley, ao analisar a situação do fascismo estadunidense, após a crise de 2008 e o desastre da guerra no Iraque (ver em Stanley, Jason. How Fascism Works, as páginas 90-91). Ele conclui que, nestes momentos, quando o antigo status quo fraqueja e a insegurança social é posta à vista, o tradicionalismo e o patriotismo exacerbado se levantam, na tentativa de preservar a ilusão familiar e confortável de superioridade nacional.

No nosso caso, a ilusão familiar e confortável a preservar é a superioridade das pessoas de bem, porque, nesses momentos de crise mundial e crise reflexa brasileira, o racismo, que está sempre de braços dados com  o tradicionalismo, recebe um impulso redobrado, posto que o conjunto de valores, que forma o padrão característico das pessoas de bem, tem um claro componente de superioridade racial, ainda e por mais que dissimulado. Na montagem da maquete fascista brasileira, além das diversas operações reducionistas descritas mais acima, na tentativa de naturalizar o racismo e sua coorte, os fascistas são levados a adicionar mais uma camada de alienação a este bolo azedo, adotando uma substituição ideológica de rótulos, para tornar mais palatável um tema espinhoso. Num país de maioria populacional negra, longo histórico de escravização e supremacia artificial de uma minoria branca, slogans do tipo “brancos são melhores do que negros” soariam inaceitáveis, mesmo entre os grupos sociais mais retrógrados e indivíduos mais intolerantes. Então, criou-se um novo rótulo, mais palatável: as pessoas de bem.

Por isso, nosso conceito de pessoas de bem  (em itálico) está mais próximo dos dois últimos comentários acima apresentados (sem desmerecer, nem deixar de concordar com o Karnal): conservadores, obscurantistas, integrantes das elites sócio-econômicas intermediárias.

Então, repito a pergunta, ao tempo mesmo em que a respondo: —Quem são, no Brasil, as pessoas de bem, senão as pessoas a partir da classe média-baixa e acima, geralmente brancos, que são remediados ou mais ricos, que são os mais educados, os ocupantes dos postos de destaque nos negócios e nas finanças, os detentores das posições públicas de status, os membros dos grupos sociais mais visíveis e dominantes, que são as pessoas, enfim, que têm patrimônios pessoais ou familiares a serem defendidos com armas?

❖ ❖ ❖

Este texto continuará na próxima postagem. Não perca: Nós e eles… (parte 2) — Fora petralhas!
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4 comentários

  1. O que mais gostei foi do final: “Fora petralhas”, a mãe deve ter lembrado dos diversos tons do arco íris assim como eu da série numérica 1,2,3,5,8,11…

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  2. Oi Luiz, como sempre, excelente texto!
    Contigo, retomo muitos aspectos já estudados.
    Reducionismo é sempre boa estratégia da lógica fascista. Separa os “bons” e os outros (e aí os categoriza, indo dia aceitáveis aos eliminaveis )
    Na eleição dos bolsonazis, essa lógica manipulatoria foi utilizada à exaustão.
    Foi fatalmente distribuído capim aos burros, que insistem na falsa moral e no maniqueísmo.
    Agora, silenciam, afinal devem pensar que os malefícios deste desgoverno nazista não os atingirá!

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